O quarto ainda guardava o calor da noite anterior, mas o silêncio era pesado.
Ela estava sentada na beira da cama, o notebook aberto, notificações piscando como alertas de erro.
Ele, deitado, a observava em silêncio, sabendo que algo estava prestes a quebrar.
— Eu não consigo mais — ela disse, sem olhar para ele. — O sistema está travando.
— O sistema? — ele perguntou, mesmo já entendendo.
— Nós. Eu. Você. Tudo.
As palavras saíam como logs de falha: diretas, inevitáveis.
Ela sabia que estava perdendo espaço no trabalho, que sua liderança já não tinha a mesma clareza.
Ele sabia que estava se apagando, vivendo apenas em função dela, sem propósito além da espera.
— Eu te quero o tempo todo — ele disse, com a voz embargada. — Mas isso está me consumindo.
— Eu também te quero. Mais do que deveria. E é por isso que preciso parar — ela respondeu, finalmente encarando-o.
O olhar dela era firme, mas molhado.
O dele, vazio, mas compreensivo.
Ambos sabiam: não era falta de amor. Era excesso.
Um loop infinito que consumia todos os recursos, sem condição de parada.
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