Era sexta-feira, e o sistema estava prestes a entrar em produção.
A equipe estava tensa, os prazos apertados, os olhos cansados.
Mas eles dois estavam em outro ritmo.
Não por desatenção, por sintonia.
Ela revisava o último trecho de código, os dedos ágeis, o
olhar firme.
Ele observava em silêncio, como quem sabe que há beleza na precisão.
— Se essa linha quebrar, tudo trava — ela disse, apontando
para um trecho que ninguém mais ousava mexer.
— E se não quebrar? — ele perguntou.
— Então a gente segue. Mesmo sem saber onde vai dar.
Ele se aproximou.
Não para ajudar.
Para estar.
— Você percebe que a gente funciona melhor quando não tenta
controlar? — ele disse.
— Percebo. Mas ainda tenho medo de travar tudo — ela
respondeu.
O deploy foi feito.
Sem erro.
Sem rollback.
E naquele instante, enquanto a equipe comemorava, eles se olharam.
— Você é minha linha crítica — ele disse, baixinho.
— E você é meu ponto de retorno — ela respondeu.
Não houve beijo.
Não houve toque.
Mas houve tudo.
Porque há amores que não precisam de gestos, só de
reconhecimento.
o que tinham não era paixão.
Era estrutura.
Comentários
Postar um comentário