Ela tentava revisar relatórios, mas cada notificação dele no celular era um interrupt que a tirava do foco.
Uma mensagem curta — “penso em você” — era suficiente para travar qualquer raciocínio.
O cursor piscava na tela, mas o código não avançava.
Ele, por sua vez, passava o dia esperando a próxima brecha na agenda dela.
O tempo parecia não passar.
Cada hora sem resposta era um timeout doloroso.
— Você está diferente nas reuniões — comentou uma colega. — Parece distraída.
Ela sorriu, sem negar. Porque era verdade.
O código que rodava em sua mente não era corporativo. Era ele.
À noite, quando finalmente se viam, o desejo explodia.
Não havia conversa longa, nem planos.
Era urgência.
Era como se cada beijo fosse um commit forçado, sem revisão, sem testes.
E mesmo assim, tudo funcionava.
Tudo rodava.
Mas no fundo, ambos sabiam: estavam presos em um deadlock.
Ela não conseguia desligar dele.
Ele não conseguia existir sem ela.
E nenhum dos dois tinha coragem de liberar o recurso.
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