Eles se viam e o tempo desaparecia.
Horas viravam segundos.
O mundo lá fora podia estar em colapso, mas ali, entre eles, só havia um loop infinito, sem condição de parada.
Ela esquecia compromissos, adiava entregas, perdia prazos.
Ele esquecia de si mesmo, de contas, de planos, de futuro.
Tudo que importava era o próximo encontro, o próximo toque, o próximo deploy.
— A gente não pode continuar assim — ela disse, certa madrugada, depois de mais uma noite em que o corpo ainda ardia e a mente se recusava a voltar para a realidade.
— Assim como? — ele perguntou, ainda preso ao calor dela.
— Como se nada mais importasse. Porque importa. Eu tenho responsabilidades. Você também deveria ter.
Ele a olhou em silêncio.
Sabia que ela estava certa.
Mas também sabia que não conseguia parar.
Porque o que sentia por ela não era só físico.
Era eufórico.
Era como se cada vez que se encontrassem, ele rodasse em overclock, queimando tudo por dentro, mas incapaz de desligar.
E ela sentia o mesmo.
No trabalho, tentava manter a postura. Mas bastava lembrar do último olhar, do último beijo, e o sistema inteiro travava.
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