A sala de reunião estava cheia, mas ela não ouvia nada.
As vozes dos colegas eram ruído branco, como logs intermináveis que não trazem informação útil.
Na mente dela, só havia uma imagem: ele.
O toque da noite anterior ainda pulsava na pele, como se fosse um processo rodando em segundo plano, consumindo toda a memória.
— Você pode repetir a última parte? — perguntou o diretor.
Ela piscou, perdida. O buffer estourado.
Tentou retomar, mas a mente insistia em compilar lembranças: o calor das mãos dele, o jeito como a respiração se sincronizava com a dela, a sensação de que o mundo inteiro podia travar, desde que ele continuasse rodando dentro dela.
Enquanto isso, ele também sofria.
Passava o dia sem tarefas, mas não em paz.
Cada minuto longe dela era latência insuportável.
Ele queria estar disponível, sempre, como um servidor dedicado só para ela.
Mas a ociosidade começava a corroer.
Amigos perguntavam sobre planos, família cobrava direção.
Ele respondia com evasivas, porque a verdade era simples: o único sistema que ele queria manter online era ela.
E quando se encontravam, o mundo desaparecia.
Não havia prazos, não havia relógios.
Só commits de pele, merges de desejo, deploys de paixão.
E cada vez que se entregavam, era como se rodassem em overclock, queimando tudo ao redor, incapazes de desligar.
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