Durante o dia, ela era uptime absoluto. Sempre disponível, sempre alerta.
Durante a noite, queria desligar. Mas desligar não significava ausência, significava se perder nele.
Ele entendia. Não cobrava prioridade, não exigia espaço. Apenas se fazia presente, como um cron job silencioso que roda sem falhar.
E quando ela finalmente se permitia parar, ele estava lá, pronto para transformar minutos roubados em horas eternas.
— Você tem todo o tempo do mundo, e eu quase nenhum — ela disse, certa vez, entre uma call e outra, já com a voz embargada pelo cansaço.
— Então eu faço do meu tempo um cache só seu. Sempre pronto para quando você precisar — ele respondeu, aproximando-se devagar, como quem sabe que até o toque precisa respeitar o ritmo dela.
E quando se encontravam, o desejo explodia. Não havia relógio, não havia agenda. Só a urgência de se perderem um no outro.
Ela, que passava o dia controlando tudo, se permitia perder o controle.
Ele, que tinha todo o tempo, fazia de cada instante uma entrega total.
E assim, cada encontro era otimizado. Não importava se tinham uma hora ou apenas alguns minutos: cada momento era tratado como deploy crítico, sem espaço para desperdício.
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