As manhãs dela começavam antes do sol. O celular vibrava com notificações, reuniões marcadas em fusos diferentes, decisões que não podiam esperar. Ela era líder agora, e cada escolha sua reverberava em dezenas de pessoas. O peso era real, mas ela o carregava com firmeza.
Ele, por outro lado, não tinha prazos. Não tinha sprint, nem backlog. Tinha tempo, todo o tempo do mundo. E escolhia investi-lo nela. Preparava o café, ajeitava o espaço, criava pequenas rotinas que serviam como lembrete silencioso: mesmo que o mundo exigisse tudo dela, havia um lugar onde ela podia simplesmente existir.
— Você não se cansa de esperar? — ela perguntou certa noite, exausta, jogando a bolsa no sofá como quem se desfaz de uma armadura.
— Esperar você é como rodar um processo em background. Eu sigo funcionando, mas tudo faz mais sentido quando você volta para o primeiro plano, ele respondeu, com um sorriso que não pedia nada em troca.
Ela sorriu de volta, cansada, mas tocada. E naquele instante, percebeu que o desejo que sentia por ele não era apenas físico. Era a fome de ter alguém que a tirasse do fluxo incessante de responsabilidades.
Quando se entregavam, o tempo deixava de existir. O mundo lá fora podia estar em colapso, mas ali, entre eles, só havia commits de pele, merges de respiração, deploys de desejo. E cada vez que se tocavam, era como se rodassem um sistema paralelo, inacessível a qualquer outra pessoa.
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