Ela ainda sentia o calor dos aplausos quando saiu do auditório, o coração acelerado pela conquista e pela solidão que sempre acompanha o topo. Caminhava pelo saguão, distraída, quando o viu. Ele estava ali, parado, olhos fixos nela, diferente de tudo que lembrava, mais intenso, mais presente, mais vulnerável.
Por um instante, o tempo parou. Ela se aproximou, sentindo o corpo reagir à presença dele, ao olhar que parecia atravessar todas as defesas. Ele não hesitou. Deu um passo à frente, a voz firme, mas carregada de emoção.
— Eu vim por você — disse, sem rodeios. — Deixei tudo para trás. Carreira, rotina, certezas. Não sabia se seria bem recebido, mas precisava tentar. Não consigo mais fingir que posso seguir sem você.
Ela sentiu o impacto das palavras, como se cada frase abrisse uma janela para tudo que ficou guardado. Quis responder, mas o silêncio era mais eloquente. Olhou para ele, buscando no rosto as marcas do tempo, da saudade, do desejo.
— Você não precisava — disse, a voz baixa, quase um sussurro. — Mas eu queria que viesse. Queria que tivesse coragem de se entregar, mesmo sem garantias.
Ele sorriu, um sorriso novo, cheio de esperança e medo.
— Eu não sei o que vai acontecer. Só sei que não quero mais viver pela metade. O sucesso, o reconhecimento, nada disso faz sentido sem você.
Ela se aproximou, sentindo o coração disparar. Tocou a mão dele, sentiu o calor, a verdade, a entrega. O mundo ao redor desapareceu. Só existiam eles, finalmente prontos para viver o que sempre foi negado.
— Então vamos descobrir juntos — disse, com um brilho nos olhos. — Sem medo, sem pressa, sem roteiro. Só nós dois.
O reencontro não foi feito de promessas, mas de presença. E, naquele instante, ambos entenderam: a coragem de se entregar era o verdadeiro começo. O passado ficou para trás, o futuro era uma página em branco, e, pela primeira vez, estavam prontos para escrever juntos.
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