O evento terminou em festa. Ela desceu do palco cercada por cumprimentos, flashes, convites para entrevistas. O sucesso era palpável, mas, ao sair do auditório, sentiu uma estranha solidão, como se o topo fosse também um lugar silencioso.
No saguão, entre vozes em línguas diferentes e colegas celebrando, ela parou para respirar. E foi ali, quase sem perceber, que o passado a alcançou: ele estava ali, encostado em uma coluna, observando de longe. Não era o mesmo de antes. Não era o rapaz distraído do início, nem o homem maduro do reencontro. Havia algo novo em seu olhar, uma intensidade calma, uma presença que parecia ocupar todo o espaço ao redor.
Ela hesitou, surpresa. O coração acelerou, mas não era só saudade. Era curiosidade, desejo, uma vontade de experimentar o que nunca viveu. Ele se aproximou devagar, sem pressa, mas com uma firmeza inédita.
— Parabéns — disse, a voz mais grave, mais segura. — Você chegou onde sempre sonhou.
Ela sorriu, tentando decifrar o que sentia. O olhar dele era diferente, carregado de algo que ela não conseguia nomear, mas que a atraía como nunca antes.
— Obrigada. Mas... não esperava te ver aqui — respondeu, sentindo o corpo reagir à proximidade.
Ele sorriu, um sorriso novo, cheio de mistério.
— Eu também não esperava. Mas, às vezes, o mundo faz questão de juntar o que ficou pendente.
O silêncio entre eles era elétrico. Ela percebeu que tudo havia mudado, ele não era mais passado, nem apenas memória. Era presente, intenso, cheio de possibilidades. E, pela primeira vez, ela desejou descobrir quem ele era agora, sem medo, sem pressa, pronta para experimentar o novo que existia entre eles.
Naquele instante, entendeu: o topo não era o fim da jornada. Era o início de algo que ela nunca imaginou viver.
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