A notícia chegou por meio de um comunicado interno. Ele leu o anúncio do novo cargo dela, parabenizando-a pelo sucesso e pela oportunidade internacional. O coração disparou, mas o rosto permaneceu impassível diante da equipe. Todos comentavam, celebravam, enviavam mensagens de apoio. Ele, por dentro, sentia o mundo desacelerar.
No início, tentou se convencer de que era o melhor para ela. Ela merecia, sempre foi brilhante, determinada, centrada. Mas, à medida que o dia avançava, o vazio crescia como um bug silencioso. O trabalho perdeu o sentido, as tarefas pareciam automáticas, e cada mensagem dela era agora uma despedida disfarçada.
Durante a reunião de encerramento do projeto, ela apareceu na tela, sorrindo, agradecendo a todos. Ele tentou sorrir de volta, mas o gesto não alcançou os olhos. Queria dizer algo, qualquer coisa que não fosse protocolar. Queria pedir para ela ficar, mas sabia que não podia, nem devia.
No fim do expediente, ficou sozinho na sala, olhando para o monitor apagado. Sentiu o peso da escolha dela, o impacto da ausência que ainda nem havia começado. O desejo de lutar por ela se misturava ao respeito pela decisão. Sabia que, dessa vez, não era sobre ele, era sobre ela, sobre o sonho que ela sempre buscou.
Naquela noite, escreveu em seu bloco de notas: “Às vezes, o amor é aceitar que o outro precisa partir. E, mesmo que doa, é preciso deixar ir.”
O vazio era real, mas também era sinal de que o sentimento era verdadeiro. Ele sabia que, a partir dali, tudo mudaria. Mas, no fundo, torcia para que ela encontrasse o que buscava, mesmo que isso significasse seguir sozinho.
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