Ela passou o fim de semana dividida entre e-mails de congratulações e mensagens de amigos, cada um oferecendo um conselho diferente. Na mesa do café, confidenciou suas dúvidas para uma amiga de longa data.
— É a chance da sua vida! — disse a amiga, animada. — Você trabalhou tanto pra isso, não pode deixar passar.
Outra colega, mais pragmática, ponderou:
— O mundo lá fora é incrível, mas não subestime o que você construiu aqui. O que te faz feliz de verdade?
Durante uma chamada de vídeo, um amigo que já morava no exterior compartilhou sua experiência:
— O começo é difícil, mas você cresce muito. Só não vá esperando que tudo seja perfeito. O importante é saber o que você quer pra si.
Ela ouviu cada conselho, anotou frases, tentou pesar argumentos. Mas, no fundo, sabia que ninguém poderia decidir por ela. O dilema era íntimo: partir para o novo ou ficar e tentar viver o que nunca teve coragem de assumir?
Na noite anterior à resposta, saiu para caminhar sozinha. Pensou nele, no que sentia, no que poderia perder. Pensou em si mesma, nas conquistas, nos sonhos antigos, na vontade de ser protagonista da própria história.
Ao voltar para casa, releu o convite. Respirou fundo, lembrou das palavras de uma amiga:
— Você sempre foi centrada. Sabe o que quer. Não tenha medo de escolher por você.
Na manhã seguinte, sentou-se diante do computador, digitou a resposta e aceitou o cargo. Sentiu o coração apertar, mas também uma leveza inédita. Sabia que a decisão mudaria tudo, mas, pela primeira vez, escolheu por si mesma, sem medo, sem culpa, pronta para viver o novo.
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