O e-mail chegou no início da manhã: uma proposta irrecusável, resultado direto do sucesso do último projeto. Uma empresa internacional, referência no setor, queria ela como líder de inovação. Salário dos sonhos, benefícios, possibilidade de morar fora, crescer, reinventar-se. Ela leu e releu a mensagem, sentindo o coração disparar.
No começo, a resposta parecia óbvia. Era tudo o que sempre quis. Mas, conforme o dia avançava, a dúvida crescia como um bug oculto no sistema. Pensava nele, no olhar, nos silêncios, na história que nunca teve um commit final. O desejo de partir se misturava ao medo de perder o que ainda não viveu.
No trabalho, tentava agir normalmente, mas cada tarefa parecia carregada de despedida. Os colegas celebravam sua conquista, mas ela sentia um vazio difícil de explicar. E se aceitasse? E se fosse embora? O que aconteceria com o sentimento que, mesmo negado, ainda ardia dentro dela?
Naquela noite, escreveu no caderno: “Às vezes, o sonho chega quando o coração está preso ao que não foi vivido.”
Ela sabia que a decisão mudaria tudo. Mas, pela primeira vez, percebeu que o maior desafio não era profissional, era emocional.
Comentários
Postar um comentário