Era madrugada, e ela estava sentada na cama, o notebook fechado ao lado, incapaz de dormir. O reencontro com ele havia mexido com tudo que ela acreditava ter superado. Tentava racionalizar, listar motivos para seguir em frente, mas o corpo não obedecia à lógica. O desejo crescia, silencioso, como um incêndio que se espalha sem aviso.
No trabalho, cada interação era uma batalha interna. O som
da voz dele durante as reuniões, o jeito como ele analisava os códigos, o olhar
rápido que cruzava o dela nos corredores, tudo parecia amplificar o que ela
tentava esconder. O coração acelerava, a respiração ficava curta, e a vontade
de estar perto se tornava quase insuportável.
Ela se pegava inventando motivos para enviar mensagens,
pedir opiniões, prolongar conversas técnicas. Cada resposta dele era analisada
como se escondesse um convite, uma brecha para algo mais. O profissionalismo,
que sempre foi escudo, agora parecia frágil diante da força do sentimento.
Tentou se distrair com tarefas, conversas com colegas,
hobbies fora do trabalho. Mas bastava um momento de silêncio para que a
lembrança dele invadisse seus pensamentos. O corpo reagia: mãos trêmulas,
vontade de tocar, de sentir, de se entregar ao que sempre negou.
Naquela noite, ela escreveu no caderno:
“Não é saudade. É desejo. E o desejo não se apaga com
rotina.”
Pela primeira vez, ela aceitou que o que sentia não era
fraqueza, era força. E que, mesmo sem saber o desfecho, precisava se permitir
viver o que o corpo e o coração pediam.
Na manhã seguinte, ao cruzar com ele no corredor, não
desviou o olhar. Sorriu, sem medo, sem hesitação. Porque há sentimentos que,
quando explodem, mudam tudo,
inclusive quem somos.
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