Era noite, e ele estava sozinho no escritório, revisando um fluxo de integração que, por ironia, parecia refletir o próprio estado interno: tudo funcionava, mas algo travava. O silêncio era absoluto, exceto pelo som do teclado e pelo eco dos próprios pensamentos.
Desde o reencontro, tentava se convencer de que tudo era passado. Mas cada vez que via o nome dela na tela, sentia o corpo reagir de um jeito que não sabia controlar. O desejo crescia, ocupando espaços antes reservados à lógica e à rotina. O profissionalismo, que sempre foi escudo, agora parecia frágil diante da força do sentimento.
Tentou se distrair com tarefas, mas a mente insistia em voltar para ela: o jeito como ela olhava, a precisão dos gestos, a voz firme que, mesmo distante, parecia chamar por ele. O coração acelerava, as mãos suavam, e a vontade de estar perto se tornava quase dolorosa.
Naquela noite, não conseguiu mais fingir. Abriu uma mensagem para ela, digitou e apagou várias vezes. Queria dizer tudo: que sentia falta, que o desejo era maior do que qualquer controle, que o silêncio entre eles era insuportável. Mas o medo de romper o equilíbrio profissional o fazia hesitar.
Levantou-se, caminhou pelo escritório vazio, tentando encontrar respostas no reflexo dos monitores. Sentiu uma urgência inédita, não era só saudade, era necessidade. Queria vê-la, ouvir sua voz, sentir a presença que antes era rotina e agora era ausência.
O momento de ruptura veio como um bug inesperado: ele percebeu que não dava mais para segurar. O desejo era incontrolável, a paixão era fogo que não se apaga com lógica. Pela primeira vez, aceitou que o que sentia não era fraqueza, era força. E que, mesmo sem saber o desfecho, precisava se permitir viver o que o corpo e o coração pediam.
Naquela noite, ele não enviou a mensagem. Mas decidiu: no próximo encontro, não fugiria. Não esconderia. Porque há sentimentos que, quando explodem, mudam tudo, inclusive quem somos.
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