Ele sempre foi racional, acostumado a resolver problemas com lógica e precisão. Mas, desde o reencontro, sentia-se invadido por uma inquietação que não sabia debugar. O profissionalismo exigia distância, mas o desejo era um bug persistente, impossível de corrigir.
No fim do expediente, revisava os e-mails dela procurando sinais, entrelinhas, qualquer pista de que ela também sentia. O cheiro do perfume dela no elevador, o som da voz durante as reuniões, tudo parecia amplificar o vazio que sentia quando ela não estava por perto.
Tentou se convencer de que era apenas saudade, uma memória antiga. Mas o corpo não mentia: mãos suadas, insônia, vontade de inventar motivos para conversar, para estar junto, nem que fosse só para discutir um fluxo de API. O desejo crescia, ocupando espaços que antes eram preenchidos por rotina e controle.
Começou a evitar encontros casuais, com medo de não conseguir disfarçar o que sentia. Mas, quanto mais tentava fugir, mais a paixão se tornava incontrolável. Era como se o código interno dele estivesse em chamas, pedindo por um deploy que ele não sabia como fazer.
Naquela noite, ele entendeu: o que achava que havia superado era, na verdade, o que o mantinha vivo.
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