Era madrugada, e ela não conseguia dormir. O reencontro com ele, agora tão diferente, havia acendido algo que ela pensava ter superado. Tentava se convencer de que era apenas nostalgia, mas o corpo não obedecia à lógica. Sentia o coração acelerado ao lembrar do olhar dele, da voz baixa, do jeito como ele dizia seu nome sem dizer nada.
No trabalho, cada mensagem dele era analisada como se escondesse um código secreto. O cheiro do café, o som dos passos no corredor, tudo parecia amplificar a presença dele, mesmo à distância. Ela se pegava sorrindo sozinha, sentindo uma energia que não sabia nomear, uma mistura de desejo, saudade e medo.
Tentou se distrair com tarefas, reuniões, conversas com colegas. Mas bastava um silêncio entre entregas para que a lembrança dele invadisse seus pensamentos. O corpo reagia: mãos trêmulas, respiração curta, vontade de estar perto, de tocar, de sentir. Era como se a paixão tivesse se transformado em uma força invisível, impossível de controlar.
Ela começou a escrever sobre o que sentia, tentando organizar o caos interno. Mas as palavras não davam conta. O que ardia nela era maior do que qualquer explicação. E, pela primeira vez, ela percebeu: o que achava que havia acabado, na verdade, só estava esperando uma brecha para explodir.
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