Era fim de expediente, e o escritório estava quase vazio. Ela revisava um fluxo de integração quando percebeu um erro inesperado, um bug que só ele saberia resolver. Hesitou antes de enviar a mensagem, mas o profissionalismo falou mais alto.
— Preciso de um olhar seu nesse trecho — escreveu, tentando soar neutra.
Ele respondeu rápido, sugerindo uma call rápida para revisar juntos. Na sala de reunião, o clima era diferente: formal, mas carregado de memórias. O silêncio entre eles era denso, como se cada palavra dita ecoasse tudo o que não foi dito antes.
— Esse bug... parece aqueles que a gente resolvia de madrugada — ele comentou, com um sorriso discreto.
Ela sorriu, mas desviou o olhar. O coração acelerava, e ela tentava ignorar o desejo de tocar a mão dele, de sentir a presença que antes era rotina.
— Tem coisas que voltam só pra lembrar o que nunca foi resolvido — ela disse, sem perceber o duplo sentido.
Ele a olhou fundo, como quem busca respostas além do código. O desejo era palpável, mas ambos se protegiam atrás da postura profissional.
— Você acha que a gente realmente superou? — ele perguntou, baixinho.
Ela hesitou. Queria dizer que sim, que tudo ficou no passado. Mas a verdade era outra.
— Acho que a gente aprendeu a esconder — ela respondeu, sentindo o calor subir pelo corpo.
A call terminou, o bug foi resolvido, mas o que ficou entre eles era mais forte do que qualquer erro de sistema. Ao sair da sala, ela sentiu o olhar dele acompanhando cada passo. E, por um instante, desejou que ele a chamasse de volta.
Naquela noite, ambos sabiam: o que achavam que não existia mais, na verdade, só estava esperando um novo deploy.
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