Naquela noite, após o reencontro e a conversa breve, ela não conseguiu dormir. O silêncio dele, mesmo interrompido, ainda ecoava. E, como acontece com códigos antigos, algumas linhas voltaram à memória.
Ela abriu o caderno e, sem pensar, escreveu:
“E se eu sair?”
“Eu vou continuar te esperando. Mesmo que você não volte.”
Ela se lembrou do olhar dele naquele dia, firme, mas vulnerável. Da forma como ele disse que esperaria, mesmo sem garantias. E agora, anos depois, ele estava ali. Esperando? Não. Presente, mas não disponível. Profissional, mas não íntimo.
Aquela lembrança a atingiu como um bug esquecido que volta em produção. Ela percebeu que, talvez, ele tivesse esperado. Mas não por ela, por si mesmo. Para se tornar alguém que não depende mais do que não foi vivido.
E ela? Ela também havia seguido. Mas agora entendia que o sprint emocional que começou naquele dia nunca foi encerrado. Ficou em aberto, como uma história sem commit final.
Na manhã seguinte, ela chegou ao trabalho diferente. Mais leve. Mais consciente. Sabia que o reencontro não era um convite para recomeçar, era uma chance de encerrar. De aceitar que o que foi dito, o que foi prometido, o que foi sentido, já cumpriu seu papel.
E, naquele dia, ela decidiu: o sprint não precisa terminar com entrega. Pode terminar com compreensão.
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