A sala de reunião estava quase vazia. A equipe já havia se dispersado após o alinhamento técnico, mas ela permaneceu. Ele ainda revisava os critérios de aceite no backlog, concentrado, como se o mundo ao redor fosse apenas ruído.
Ela se aproximou devagar, sem hesitação. O coração acelerado, mas o olhar firme.
— Você não vai dizer nada? — ela perguntou, com a voz baixa, mas cortante.
Ele levantou os olhos, surpreso, mas não desconfortável. Havia algo no olhar dele, não era frieza, nem desdém. Era contenção.
— Sobre o quê?
— Sobre nós. Sobre o que fomos. Sobre o que não dissemos.
Ele respirou fundo. O silêncio entre eles era denso, mas não hostil. Era como um código que ainda não havia sido compilado.
— Eu pensei em dizer — ele respondeu. — Mas achei que talvez você tivesse seguido. E que eu não tivesse mais lugar nisso.
Ela sorriu. Um sorriso triste, mas verdadeiro.
— Eu segui. Mas não esqueci.
Ele olhou para ela com um misto de respeito e cuidado. Não havia paixão nos olhos dele, havia memória. E, naquele instante, ela entendeu: ele também havia mudado. E talvez, o silêncio dele fosse uma forma de proteger o que foi bonito, sem tentar reviver o que não cabe mais.
— Você está diferente — ela disse.
— Você também. E isso é bom — ele respondeu.
A conversa foi breve. Não houve promessas, nem retomadas. Apenas reconhecimento. E, às vezes, isso basta para reorganizar o que ficou pendente.
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