O reencontro mexeu com ela de um jeito inesperado. Ao vê-lo entrar na sala, mais maduro, centrado, seguro, sentiu uma onda de alegria, quase como se o tempo tivesse voltado. Mas bastou alguns minutos para perceber que ele não era mais o mesmo. O olhar era profissional, o tom era neutro, e não havia nenhum resquício da antiga intimidade.
Durante a reunião, ela tentava se concentrar nos objetivos do projeto, mas sua mente divagava. Lembrava dos silêncios compartilhados, dos cafés não bebidos, das conversas que nunca precisaram de pauta. Agora, ele era o Product Owner, representando o cliente, e mantinha uma distância protocolar que a deixava inquieta.
Sentiu-se atraída pelo “novo” ele. A postura firme, a clareza nas decisões, o jeito como conduzia as prioridades do projeto, tudo isso despertava nela uma admiração renovada, quase magnética. Mas, ao mesmo tempo, a ausência de qualquer gesto de afeto mexeu com seu ego. Ela esperava, mesmo que inconscientemente, um sorriso, um olhar cúmplice, uma palavra fora do script. Não veio nada.
No fim da reunião, enquanto todos se dispersavam, ela ficou alguns segundos parada, observando-o conversar com outros membros da equipe. Ele era cordial, eficiente, mas não havia espaço para nostalgia. Ela se pegou pensando: “Será que ele realmente esqueceu? Ou será que escolheu não demonstrar?”
Essa atitude mexeu com ela mais do que gostaria de admitir. Sentiu uma mistura de orgulho ferido e desejo de ser notada. Queria provocar uma reação, arrancar dele ao menos um sinal de que o passado ainda existia. Mas ele permaneceu impassível, como se o abismo entre eles fosse parte do novo papel que ocupava.
Naquela noite, em casa, ela revisitou memórias antigas. Percebeu que, apesar de toda a evolução, ainda carregava expectativas, não do que poderiam ser, mas do reconhecimento do que foram. O reencontro mostrou que amadurecer também é aceitar que nem sempre o outro vai corresponder ao que esperamos. E que, às vezes, o silêncio do outro é o que mais nos desafia a seguir em frente.
No fundo, ela sabia: o “novo” ele era fascinante, mas inacessível. E talvez, dessa vez, o desafio fosse aprender a admirar sem esperar retorno. A transformação dela não era só sobre crescer, era sobre lidar com o ego, com a saudade e com a realidade de que algumas histórias mudam de forma, mas nunca deixam de mexer com a gente.
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