O tempo havia passado, e ela já não era a mesma. Liderava projetos com confiança, era referência na empresa, e seu olhar carregava a maturidade de quem aprendeu com cada experiência. Naquela manhã, foi convocada para a reunião de abertura de um novo projeto estratégico, ela seria a líder da equipe interna.
Entrou na sala com postura firme, cumprimentou os presentes, revisou a pauta e começou a apresentar os objetivos. No momento em que o cliente foi anunciado, ela sentiu o coração acelerar: o Product Owner do projeto era ele.
Ele estava diferente. Mais velho, mais centrado, postura impecável, olhar sereno. Não havia traço do rapaz distraído e espontâneo de antes. Agora, representava o cliente, responsável por definir prioridades e validar entregas. Havia um abismo entre eles, não apenas de tempo, mas de postura e expectativas.
Ela ficou feliz ao reencontrá-lo, mas também inquieta. Esperava algum sinal, um sorriso, um gesto de reconhecimento. Mas ele manteve a formalidade, cumprimentou a todos com educação, sem demonstrar nenhum afeto ou nostalgia. Durante toda a reunião, foi objetivo, claro, profissional.
Enquanto apresentava o roadmap, ela tentava decifrar o que sentia. Era alegria pelo reencontro, mas também preocupação: será que ele havia mudado tanto a ponto de não guardar nada do passado? Ou será que o papel de PO exigia esse distanciamento?
Ao final da reunião, ele agradeceu pela condução, elogiou a clareza das metas e se despediu com um aceno discreto. Ela ficou ali, por alguns segundos, tentando reorganizar as emoções. O reencontro trouxe à tona lembranças, dúvidas e a certeza de que, mesmo com toda a evolução, algumas histórias nunca se fecham completamente, apenas mudam de forma.
Naquele dia, ela entendeu que o abismo entre eles não era apenas profissional. Era feito de escolhas, amadurecimento e daquilo que cada um decidiu levar consigo. E, mesmo sem afeto explícito, o reencontro foi suficiente para mostrar que o tempo transforma, mas não apaga o que foi essencial.
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