Era quarta-feira, e ela acordou com uma sensação diferente. O ritmo do novo projeto continuava intenso, mas, pela primeira vez em semanas, ela se permitiu desacelerar. Tomou o café da manhã olhando pela janela, sentindo o silêncio como companhia.
No trabalho, as demandas não davam trégua. Ela liderava reuniões, solucionava problemas, recebia elogios. Mas, entre uma tarefa e outra, começou a se perguntar quem era fora daquele ambiente. O reconhecimento profissional era gratificante, mas não preenchia o espaço que sentia dentro de si.
Os convites para sair continuavam chegando. Ela aceitava alguns, recusava outros, mas em nenhum deles se permitia realmente estar presente. Era como se houvesse uma barreira invisível entre ela e o mundo, uma barreira feita de dúvidas, expectativas e lembranças.
Em casa, à noite, ela se olhava no espelho. Não buscava respostas, mas tentava entender as perguntas. Será que estava se protegendo demais? Será que o medo de se envolver novamente era maior do que a vontade de viver algo novo? Ou será que, no fundo, ainda esperava por algo que não sabia nomear?
Começou a escrever sobre si mesma. Frases soltas, pensamentos dispersos, memórias de momentos que marcaram. Descobriu que, apesar de tudo, havia crescido. Era mais forte, mais independente, mais consciente do que queria e do que não queria.
Mas a dúvida persistia. Será que o caminho escolhido era mesmo o certo? Ou será que, para se encontrar, precisaria se permitir errar, se abrir, se reinventar?
Naquela semana, ela decidiu tentar algo diferente. Aceitou um convite para um evento fora do trabalho, conversou com pessoas novas, ouviu histórias que não tinham nada a ver com tecnologia ou projetos. Sentiu-se leve, curiosa, viva.
E, pela primeira vez, percebeu que a autodescoberta não era sobre encontrar respostas definitivas, mas sobre se permitir viver as perguntas. O espelho continuava refletindo dúvidas, mas agora também mostrava possibilidades.
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