Era terça-feira, e ela já não sentia o peso da separação como antes. O novo projeto exigia foco, criatividade e resiliência. A equipe era dinâmica, os desafios constantes, e ela se destacava, mas, por dentro, algo permanecia suspenso.
Nos últimos meses, começaram a surgir novas opções de amores. Convites para sair, mensagens gentis, olhares que buscavam mais do que parceria profissional. Ela recebia elogios, propostas de encontros, tentativas de aproximação. Alguns colegas eram interessantes, outros apenas curiosos. Mas, em todos os casos, ela não se permitia ir além.
— Você nunca aceita sair com ninguém — comentou uma amiga, durante o almoço.
— Não é que eu não queira. Só não consigo — ela respondeu, sem saber explicar o motivo.
À noite, em casa, ela revisava as mensagens recebidas. Algumas eram sinceras, outras apenas distraídas. Ela pensava em responder, em aceitar, em tentar. Mas sempre parava antes de tomar qualquer decisão.
Começou a se perguntar se o que estava fazendo era o correto. Será que estava se fechando para novas possibilidades por medo? Ou era apenas respeito ao que sentia, ou ao que já sentiu? O passado com ele era uma lembrança vaga, mas ainda presente. Não doía, mas também não permitia espaço para o novo.
No trabalho, ela continuava brilhando. Era reconhecida, admirada, procurada para conselhos e soluções. Mas, fora dali, sentia-se incompleta. Como se faltasse uma linha de código para que tudo funcionasse perfeitamente.
Na dúvida, ela seguia. Aceitava convites para cafés, conversava com colegas, sorria para novas possibilidades. Mas, no fundo, não se permitia viver nada que não fosse absolutamente verdadeiro.
E assim, entre conquistas e incertezas, ela começou a questionar: será que o caminho escolhido era mesmo o certo? Ou será que, para seguir em frente, precisaria se permitir errar, tentar, viver, mesmo sem garantias?
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