Era segunda-feira, e o anúncio veio como uma atualização de sistema: a empresa precisava dividir a equipe para atender demandas urgentes em projetos diferentes. Não houve tempo para despedidas, nem para conversas fora do roteiro. Ela foi designada para um cliente novo, em outro andar, com outra equipe. Ele ficou responsável por uma integração complexa, longe do fluxo que costumava compartilhar com ela.
Os dias passaram em ritmo acelerado. Reuniões, entregas, prazos, cobranças. Cada um imerso em tarefas que exigiam atenção total, como se o trabalho fosse um código que não permitisse distrações.
A comunicação entre eles cessou. Não por escolha, mas por falta de oportunidade. Os e-mails agora eram apenas sobre demandas técnicas, enviados para grupos grandes, sem espaço para entrelinhas. Os cafés ficaram mais rápidos, os corredores mais silenciosos.
No início, a ausência parecia apenas mais uma rotina. Mas, de vez em quando, entre uma linha de código e outra, ela se pegava pensando nele, não como alguém presente, mas como uma lembrança vaga de algo que poderia ter sido permanente. Ele, por sua vez, sentia falta do olhar dela durante as reuniões, do jeito como ela resolvia problemas que ninguém via.
Ambos estavam ocupados demais para sentir saudade. Mas, no fundo, sabiam que o que viveram não era apenas uma fase, era uma possibilidade que ficou suspensa, como um deploy que nunca foi feito.
E assim, separados pela empresa, seguiram em projetos diferentes, cada um construindo novas histórias, mas carregando consigo a memória de um vínculo que, mesmo distante, ainda ecoava como uma linha de código esquecida, mas essencial.
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