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Capítulo 9: O Toque que Não Veio

 Era terça-feira, e o clima no escritório estava mais frio do que o ar-condicionado conseguia justificar.

Ela passou por ele no corredor, os olhos rápidos, o sorriso protocolar.

Ele sentiu.

Não o olhar, a ausência dele.

— Você está diferente — ele disse, ao encontrá-la na copa.

— Estou focada. O projeto exige — ela respondeu, sem olhar nos olhos dele.

Ele tentou sorrir.

Mas o sorriso não encontrou espaço.

— A gente não conversa mais — ele disse.

— A gente nunca conversou tanto assim. Você só achava que sim — ela respondeu, com uma calma que doía mais que qualquer grito.

Ele se calou.

Porque ali, naquele instante, ele entendeu: ela estava se afastando.

Não por raiva.

Mas por falta de corpo.

— Você não sente mais? — ele perguntou, quase num sussurro.

Ela parou.

Virou-se devagar.

O olhar dela era firme, mas sem brilho.

— Eu sinto. Mas não toco. E o que não se toca, uma hora, deixa de existir.

Ele queria dizer que o amor deles era mais que físico.

Que o pertencimento não precisava de pele.

Mas ela já tinha virado as costas.

E naquele dia, ele entendeu:

o que os unia estava virando lembrança.

E lembrança não aquece.

Só ecoa.


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