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Capítulo 8: O Sprint que Não Terminou

 Era segunda-feira, início de sprint.

A equipe estava reunida, os quadros cheios de post-its, os prazos apertados como sempre.
Mas ela estava diferente.
O olhar mais distante, os gestos mais contidos.
Ele percebeu.
Como sempre percebia.

— Você está aqui, mas não está — ele disse, ao encontrá-la na copa, longe do burburinho da reunião.

— Às vezes, estar é só uma formalidade — ela respondeu, mexendo no café sem beber.

Ele se aproximou.
Não com pressa, mas com presença.

— O que está acontecendo? — ele perguntou.

— Eu estou tentando entender se ainda pertenço a isso — ela disse, olhando para o crachá como quem questiona o próprio nome.

Ele não respondeu de imediato.
Porque sabia que qualquer palavra podia ser um gatilho — ou um erro.

— Você pertence a mim — ele disse, enfim. — E isso não depende do projeto.

Ela o olhou.
Fundo.
Como quem busca confirmação no que já sabe.

— E se eu sair? — ela perguntou.

— Eu vou continuar te esperando. Mesmo que você não volte.

O silêncio entre os dois era mais forte que qualquer argumento.
Porque há momentos em que o amor não precisa convencer, só acolher.

Ela voltou para a sala.
Sentou-se à mesa.
Digitou com precisão, mas o coração já estava em outro lugar.

E ele, do outro lado da sala, sabia:
aquele sprint não terminaria com entrega.
Mas com escolha.

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