Era segunda-feira, início de sprint.
A equipe estava reunida, os quadros cheios de post-its, os prazos apertados
como sempre.
Mas ela estava diferente.
O olhar mais distante, os gestos mais contidos.
Ele percebeu.
Como sempre percebia.
— Você está aqui, mas não está — ele disse, ao encontrá-la
na copa, longe do burburinho da reunião.
— Às vezes, estar é só uma formalidade — ela respondeu,
mexendo no café sem beber.
Ele se aproximou.
Não com pressa, mas com presença.
— O que está acontecendo? — ele perguntou.
— Eu estou tentando entender se ainda pertenço a isso — ela
disse, olhando para o crachá como quem questiona o próprio nome.
Ele não respondeu de imediato.
Porque sabia que qualquer palavra podia ser um gatilho — ou um erro.
— Você pertence a mim — ele disse, enfim. — E isso não
depende do projeto.
Ela o olhou.
Fundo.
Como quem busca confirmação no que já sabe.
— E se eu sair? — ela perguntou.
— Eu vou continuar te esperando.
Mesmo que você não volte.
O silêncio entre os dois era mais forte que qualquer
argumento.
Porque há momentos em que o amor não precisa convencer, só acolher.
Ela voltou para a sala.
Sentou-se à mesa.
Digitou com precisão, mas o coração já estava em outro lugar.
E ele, do outro lado da sala, sabia:
aquele sprint não terminaria com entrega.
Mas com escolha.
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