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Capítulo 5: O Café que Ele Nunca Bebeu

Era quarta-feira, e o café da empresa estava mais vazio do que o normal.

Ela chegou com o cabelo preso e um olhar distante.
Ele já estava lá, sentado à mesa de sempre, com um café que esfriava lentamente, como fazia toda vez que ela demorava.

— Você sempre pede e não bebe — ela disse, sentando-se sem pedir licença.

— É só desculpa pra esperar você — ele respondeu.

Ela sorriu.
Mas não era um sorriso leve.
Era um sorriso que carregava cansaço, saudade e uma pergunta que ainda não tinha coragem de fazer.

— Hoje foi difícil — ela disse, mexendo na xícara como quem tenta reorganizar os pensamentos.

— O sistema ou você? — ele perguntou.

— Eu. O sistema só reflete.

Ele a olhou com atenção.
Como quem lê um código complexo e entende que o erro não está na sintaxe — está na lógica.

— Você não precisa fingir que está tudo bem comigo — ela disse, sem olhar.

— Eu não finjo. Eu só fico — ele respondeu.

O silêncio entre os dois era confortável.
Como uma pausa entre comandos.
Como um espaço onde o amor não precisa se provar, só existir.

Ela encostou a cabeça no ombro dele.
Ele não se mexeu.
Porque há gestos que não pedem resposta, só presença.

E naquele instante, o café esfriou.
Mas o que havia entre eles continuava quente.
Como um código que nunca foi documentado, mas que funciona perfeitamente quando os dois estão juntos.

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