A sala de reunião estava vazia.
Não havia pauta, nem cronograma.
Só os dois, sentados frente a frente, com laptops abertos e corações em modo de
espera.
— Você acha que a gente se encontrou por acaso? — ele
perguntou, mexendo no copo de água como quem evita encarar o que sente.
— Acho que o acaso é só o nome que a gente dá quando o
destino não quer se explicar — ela respondeu.
Ele sorriu.
Não pelo que ela disse, mas pelo jeito como ela dizia.
Como quem já tinha pensado nisso antes, mas nunca teve coragem de dizer.
A conversa começou com o projeto.
Uma integração que não funcionava, uma falha que ninguém conseguia rastrear.
Mas logo, o assunto mudou.
Como sempre mudava quando os dois estavam juntos.
— Você me vê? — ela perguntou, de repente.
— Desde o primeiro dia. Mas só agora entendi o que estou
vendo — ele respondeu.
Ela desviou o olhar.
Não por vergonha, mas por medo de que ele estivesse certo demais.
— Eu não sou fácil — ela disse.
— Eu não quero fácil. Quero verdadeiro — ele respondeu.
O silêncio entre eles era denso.
Não havia toque.
Mas havia tudo.
Ela fechou o notebook.
Ele fez o mesmo.
E naquele gesto, algo foi decidido, sem palavras, sem contrato, sem garantia.
Só de presença.
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