Era quarta-feira, e o escritório parecia mais iluminado do que de costume. Não era o sol, nem a luz artificial, era a leveza que agora habitava o ambiente.
Ela chegou cedo, revisou os e-mails, organizou as tarefas do dia. Ele entrou alguns minutos depois, cumprimentou a equipe com um sorriso discreto e sentou-se à sua mesa, já imerso em códigos.
Durante a daily, os olhares se cruzaram. Não havia mais tensão, nem expectativa. Apenas respeito e uma curiosidade tranquila sobre o que o dia poderia trazer.
— Preciso de uma opinião sobre o novo fluxo da API — ela disse, aproximando-se com naturalidade.
— Claro, posso revisar com você depois do almoço — ele respondeu, sem hesitar.
O almoço foi compartilhado com outros colegas, mas, ao final, os dois ficaram na copa, conversando sobre um novo projeto que poderia unir diferentes áreas da empresa.
— Você acha que vale a pena investir nessa integração? — ela perguntou, olhando para ele com interesse genuíno.
— Acho que vale, principalmente se a equipe estiver alinhada — ele respondeu, percebendo que, pela primeira vez, falavam sobre futuro sem o peso do passado.
Naquela tarde, trabalharam juntos, trocando ideias, ajustando detalhes, rindo de pequenos erros e celebrando acertos. O clima era leve, colaborativo, aberto a possibilidades.
No fim do expediente, ela se despediu com um sorriso sincero.
— Obrigada pela parceria hoje. Foi bom trabalhar assim — ela disse.
— Concordo. Às vezes, o que a gente precisa é só de espaço para o novo acontecer — ele respondeu.
E naquele dia, ambos entenderam que o espaço que antes era vazio agora permitia surpresas. Não era mais sobre o que faltava, mas sobre o que podia surgir, sem pressa, sem cobrança, apenas com a leveza de quem aprendeu a reorganizar o próprio coração.
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