Era terça-feira, e o clima no escritório havia mudado.
Não por causa de um novo projeto, nem por uma entrega importante.
Mas porque eles haviam mudado.
Ela agora falava com ele com naturalidade.
Sem tensão, sem expectativa.
— Precisamos revisar o escopo da próxima sprint — ela disse, com tom neutro, mas firme.
— Claro. Posso te mandar os pontos por e-mail — ele respondeu, sem hesitar.
Não havia mais hesitação.
Nem entrelinhas.
Nem silêncios carregados.
Eles haviam aprendido a respeitar o espaço que o outro ocupava.
Não como fuga, como maturidade.
Ela já não esperava gestos.
Ele já não tentava compensar ausências.
Ambos sabiam: o que não foi vivido, não precisa ser apagado.
Só precisa ser reorganizado.
Na reunião de alinhamento, ela apresentou com clareza.
Ele complementou com precisão.
A equipe notou a sintonia, mas não sabia da história.
— Você está mais leve — comentou uma colega.
— Estou mais inteira — ela respondeu.
Ele ouviu.
E sorriu.
Não por saudade.
Por respeito.
Porque agora, o que havia entre eles não era desejo.
Era reconhecimento.
E naquele dia, entre planilhas e códigos, eles começaram a construir algo novo.
Não um romance.
Não uma promessa.
Mas um convívio que não exige mais do que o outro pode dar.
E às vezes, isso é mais do que suficiente.
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