Era segunda-feira, e ela estava diferente.
Mais leve, mais decidida, mais distante.
Não dele, do que ele representava.
Ela havia tentado.
Um novo encontro, um novo sorriso, um novo toque.
Mas tudo parecia ensaio.
Nada era estreia.
O novo rapaz da equipe era gentil, inteligente, disponível.
Ele a escutava, a elogiava, a convidava.
E ela aceitava.
Não por desejo, por tentativa.
— Você está mais presente ultimamente — comentou uma colega.
— Estou tentando estar onde me querem — ela respondeu, com
um sorriso que não chegava aos olhos.
Mas à noite, ao chegar em casa, ela abria o caderno.
Escrevia frases soltas.
Fragmentos de algo que ainda não sabia nomear.
“O que não foi vivido também pesa.”
“O que não se tocou, ainda arde.”
Ela não pensava nele o tempo todo.
Mas pensava.
Nos dias em que o silêncio entre eles dizia mais que qualquer conversa.
Nos momentos em que ele parecia entender o que ela não dizia.
Agora, ele não dizia nada.
E ela também não.
— Você ainda sente falta dele? — perguntou uma amiga.
— Não sei se é dele. Ou do que eu achei que ele fosse — ela
respondeu.
E naquele instante, ela entendeu:
o que a prendia não era ele.
Era a expectativa.
De que ele fosse mais.
De que ele tivesse coragem.
De que ele tivesse tocado.
Mas ele não tocou.
E agora, ela seguia.
Com alguém novo ao lado.
Mas com um espaço que ninguém ocupava.
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