Era sexta-feira, e ela aceitou um convite.
Um colega novo, simpático, direto.
Alguém que não falava em entrelinhas, que não hesitava em tocar, em marcar, em estar.
Ela foi.
Não por impulso, por tentativa.
O bar era agradável, a conversa fluía.
Ele falava sobre viagens, sobre música, sobre tudo que ela costumava gostar.
Mas ela não estava ali por gosto.
Estava por ausência.
— Você parece distraída — ele disse, ao notar o olhar dela perdido entre os copos.
— Estou tentando estar — ela respondeu, com honestidade.
Ele sorriu, gentil.
Tentou tocar sua mão.
Ela não afastou.
Mas também não sentiu.
O beijo veio no fim da noite.
Correto, educado, sem urgência.
E foi ali que ela entendeu:
não era sobre presença.
Era sobre pertencimento.
Ela voltou para casa com a sensação de que havia cumprido uma etapa.
Mas não havia nada concreto.
Nada que a fizesse esquecer o que não foi vivido, mas que ainda ecoava.
Na segunda-feira, ela passou por ele no corredor.
O mesmo silêncio.
A mesma distância.
Mas agora, ela não esperava mais nada.
Porque às vezes, o que falta não é alguém novo.
É o que não foi dito por quem já estava.
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