Era quinta-feira, e ele não procurava mais por ela.
Não nos corredores, não nas reuniões, não nos cafés.
Ela estava lá, presente, eficiente, impecável.
Mas distante.
E ele, pela primeira vez, respeitava essa distância.
Mesmo que doesse.
O sistema rodava.
Os prazos eram cumpridos.
A equipe funcionava.
Mas ele não.
Por dentro, algo travava.
— Você está mais calado — alguém comentou durante a daily.
— Estou focado — ele respondeu, sem levantar os olhos.
Mas não era foco.
Era saudade.
Da voz dela, do olhar, do jeito como ela entendia o que ele não dizia.
Ele passou a sair mais cedo.
Evitava os horários em que ela costumava estar na copa.
Não lia mais os e-mails dela com atenção.
Mas guardava cada palavra que ela dizia nas reuniões, como quem coleciona ecos.
Ela, por sua vez, mantinha a postura.
Profissional, objetiva, distante.
Como se nunca tivesse pertencido a ele.
Como se tudo que viveram tivesse sido apenas um ruído entre entregas.
Ele não a culpava.
Sabia que ela esperava mais.
Um gesto.
Uma escolha.
Algo que ele não teve coragem de fazer.
E agora, tudo que restava era o silêncio.
Não o que ela impôs.
O que ele escolheu.
Porque às vezes, amar é aceitar que o outro seguiu.
Mesmo que o coração fique.
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