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Capítulo 11: O Silêncio que Ele Escolheu

 Era quinta-feira, e ele não procurava mais por ela.

Não nos corredores, não nas reuniões, não nos cafés.
Ela estava lá, presente, eficiente, impecável.
Mas distante.
E ele, pela primeira vez, respeitava essa distância.
Mesmo que doesse.

O sistema rodava.
Os prazos eram cumpridos.
A equipe funcionava.
Mas ele não.
Por dentro, algo travava.

— Você está mais calado — alguém comentou durante a daily.

— Estou focado — ele respondeu, sem levantar os olhos.

Mas não era foco.
Era saudade.
Da voz dela, do olhar, do jeito como ela entendia o que ele não dizia.

Ele passou a sair mais cedo.
Evitava os horários em que ela costumava estar na copa.
Não lia mais os e-mails dela com atenção.
Mas guardava cada palavra que ela dizia nas reuniões, como quem coleciona ecos.

Ela, por sua vez, mantinha a postura.
Profissional, objetiva, distante.
Como se nunca tivesse pertencido a ele.
Como se tudo que viveram tivesse sido apenas um ruído entre entregas.

Ele não a culpava.
Sabia que ela esperava mais.
Um gesto.
Uma escolha.
Algo que ele não teve coragem de fazer.

E agora, tudo que restava era o silêncio.
Não o que ela impôs.
O que ele escolheu.

Porque às vezes, amar é aceitar que o outro seguiu.
Mesmo que o coração fique.

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